Instituto Libertário Cristão
Andrew Napolitano
Qual é a conexão entre a liberdade pessoal e ressuscitar dos mortos?
Quando os Estados Unidos ainda estavam em seu início, lutando para encontrar uma cultura própria e frustrados com a forma de governo da Grã-Bretanha, a palavra mais frequentemente pronunciada em discursos, panfletos e editoriais não era “segurança”, “impostos” ou “paz”; era “liberdade”. Dois atos do Parlamento atacaram a liberdade e romperam irreparavelmente os laços com a metrópole.
O primeiro foi o Stamp Act, que era aplicado por soldados britânicos, que utilizavam mandados gerais emitidos por um tribunal secreto em Londres para vasculhar os pertences pessoais de quaisquer colonos que escolhessem, supostamente para verificar se eles haviam comprado os selos do governo.
Esses mandados gerais, assim como aqueles que o Tribunal de Vigilância de Inteligência Estrangeira dos Estados Unidos (FSIC, na sigla em inglês) emite hoje nos Estados Unidos, não descreviam especificamente o local a ser revistado nem a pessoa ou coisa a ser apreendida — algo que nossa Constituição exige. Em vez disso, concediam autoridade para que o portador realizasse buscas onde quisesse e apreendesse o que desejasse — como fazem hoje os mandados do FSIC, em violação à nossa Constituição.
O segundo ato intolerável foi a imposição de uma taxa para financiar a Igreja Anglicana, que todos os colonos adultos do sexo masculino proprietários de bens eram obrigados a pagar, independentemente de suas crenças religiosas.
O Stamp Act atacava o direito de ser deixado em paz dentro do próprio lar, e o imposto da Igreja Anglicana atacava o livre exercício da religião. Essas duas leis levaram muitos colonos a perceber que precisavam se separar da Grã-Bretanha e formar seu próprio país, no qual a liberdade seria protegida pelo governo, e não atacada por ele.
Eles fizeram isso, é claro, mas ainda hoje a perda de liberdade assume muitas formas.
Às vezes ela é direta, como quando o Congresso nos diz como viver e os tribunais permitem que ele o faça. Às vezes é sutil, como quando o governo toma empréstimos ou imprime dinheiro para pagar suas contas e, como resultado, todo o dinheiro e os ativos que já possuímos perdem grande parte de seu valor, e nossos descendentes serão tributados para pagar essas dívidas. Às vezes o governo mente sobre seus ataques, como quando a Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) lê nossos e-mails e mensagens de texto e escuta nossas ligações telefônicas sem um mandado de busca baseado em normas constitucionais, e nega que o faça.
Liberdade é a capacidade de cada pessoa exercer o livre-arbítrio sem precisar de uma autorização ou vigilância do governo. O livre-arbítrio é uma característica natural que compartilhamos com Deus. Ele nos criou à Sua imagem e semelhança. Assim como Ele é perfeitamente livre, nós também o somos.
Quando o governo retira o livre-arbítrio, seja por decreto ou por voto da maioria, ele rouba um dom que recebemos de Deus; viola a lei natural; impede que tenhamos e utilizemos os meios para buscar a verdade. Como o exercício do livre-arbítrio para buscar a verdade é um direito natural, a única situação em que é moral que o governo interfira nele é quando alguém foi devidamente condenado por um júri por usar fraude ou força para interferir no exercício dos direitos naturais de outra pessoa.
Sabemos, a partir de eventos ocorridos há 2.000 anos que os cristãos recordam nesta semana, que a liberdade é o meio essencial para descobrir e unir-se à verdade. Para os cristãos, a personificação, a encarnação e a manifestação perfeita da verdade é Jesus — que é o Cristo, o Filho de Deus e o Filho da Bem-Aventurada Virgem Maria.
Na primeira Quinta-feira Santa, Jesus participou de um tradicional Sêder judaico da Páscoa. Os católicos acreditam que, em Sua Última Ceia, Jesus realizou dois milagres para que pudéssemos permanecer unidos a Ele. Ele transformou pão e vinho comuns em seu próprio corpo, sangue, alma e divindade, e concedeu a seus discípulos e aos sucessores deles o poder de fazer o mesmo.
Na primeira Sexta-feira Santa, o governo romano executou Jesus porque estava convencido de que, ao afirmar ser o Filho de Deus, Ele poderia fomentar uma revolução. Ele de fato fomentou uma revolução, mas foi nos corações e nas mentes de homens e mulheres. O governo romano não havia ouvido falar de uma revolução de corações e mentes, portanto, quando o crucificou, pensou que havia triunfado sobre Ele.
Jesus tinha a liberdade de rejeitar esse evento horrível, mas exerceu seu livre-arbítrio para aceitá-lo, para que pudéssemos conhecer a verdade. A verdade é que Ele ressuscitaria dos mortos.
Na Páscoa, três dias após morrer, Ele de fato ressuscitou dos mortos. Ao fazer isso, demonstrou que, enquanto vivemos, podemos libertar nossas almas da escravidão do pecado e nosso livre-arbítrio da opressão do governo. E após a morte, podemos ressuscitar para estar com Ele.
A Páscoa, que manifesta a imortalidade humana, é o ponto central da existência humana. Com ela, a vida vale a pena ser vivida, independentemente de seus custos ou sofrimentos. Sem ela, a vida não tem sentido, independentemente de suas alegrias passageiras ou triunfos. A Páscoa tem um significado ao mesmo tempo incompreensível e simples. É incompreensível que um ser humano tenha tido a liberdade de ressuscitar dos mortos. É simples porque esse ser humano era e é Deus.
Jesus é a união hipostática — não metade Deus e metade homem, nem apenas um homem piedoso, nem Deus conectado a um homem, mas verdadeira e plenamente Deus e, ao mesmo tempo, verdadeira e plenamente homem. Quando o governo romano matou o homem Jesus, matou Deus. Quando o homem Jesus se levantou de seu túmulo, Deus ressuscitou dos mortos.
O que significa a Páscoa? A Páscoa significa que há esperança para os mortos. Se há esperança para os mortos, há esperança para os vivos. Mas, assim como os colonos que lutaram contra a opressão do rei, nós, os vivos, só podemos alcançar nossas esperanças se tivermos liberdade. E isso exige um governo que proteja a liberdade, não que a ataque.
Feliz Páscoa!
Este artigo foi originalmente publicado no site Townhall.
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